segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sorrimos, meu bem...

Ter amigos é tudo de bom! Já falei aqui sobre isso, mas é um tema que merece - e deve - ser revisitado com frequência. No último fim de semana, tive uma prova mais que real de quanto gosto da presença dos meus amigos. Fui a Colatina, na Festa do Cafona, e acabei reencontrando, por lá, boa parte da minha turma do Ensino Médio. É engraçado como, ao vê-los, me sinto confortável, "em casa".

Da turma do CEFET-ES (hoje IFES), estavam lá: Loreny, Renata, Tiely, Walace, Wanderson, Rodrigo. Encontrei, também, o Guilherme, o Renan e a Joyce, que estudaram comigo em 2004, quando repeti o 3º ano (nunca fui bom em Química, muito menos em Matemática). Alguns deles, não via desde a formatura. Daí a grande surpresa em observar que, mesmo com a distância e com a maturidade que veio, ainda nos entendemos, conseguimos rir juntos e falamos de igual para igual, tendo preservada aquela adolescência que vivemos!

Ah, os tempos do Ensino Médio... do uniforme com gola de linha, da "Marcha Eteviana" cantada sob sol forte, dos Juneds e gincanas. Tempos de linha-dura, quando não podíamos usar bonés coloridos, meias com detalhes ou camisa de educação física fora do horário apropriado. Dizia a gerente de ensino: "- Os rapazes querem exibir os músculos!". Ai ai ai... hoje isso nos rende risadas!

Naquela época (entre 2001 e 2003) a internet ainda caminhava a passos lentos. Esperávamos até à meia-noite para fazer uma conexão discada de pulso único. Havia aulas de atletismo (nunca acertei o tal arremesso de peso) e desenho técnico. Muitas dessas aulas nos serviam, apenas, para inventar paródias, ir para o conteiros de obras estudar para o que realmente interessava e rir, uns dos outros. Esse último era o mais frequente!

Rir foi o que fizemos nesse fim de semana. Primeiro, das nossas roupas cafonas. Dignas de Oscar de figurino, eu diria. Só quem é de Colatina entende - e sente - o quando esta festa mexe com a população. E, confesso, este ano eu não estava nada animado para prestigiá-la. O show principal, da Banda Blitz, nem vimos. Ficamos de papo, contando as novidades, apontando as outras pessoas ridículas (e também as interessantes), relembrando velhos tempos... enfim, pondo a amizade em dia!

A Festa do Cafona 2011 ficará na lembrança. Primeiro, por ter sido minha oitava participação no maior evento de Colatina. Depois, por não ter estressado com figurino, por ter decidido ir na última hora e, talvez pela falta de expectativa, ter me divertido MUITO. E, mais do que tudo isso, por ter tido ao meu lado companheiros "de antigamente", de memoráveis anos passados. Amigos que, ao contrário das roupas usadas, não têm cheiro de naftalina e, muito menos, saem de moda! "Sorria, meu bem!"

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ode às descobertas

Caros leitores,

Peço licença a cada um de vocês para, hoje, quebrar o protocolo. Não estou afim de falar das minhas lembranças, tampouco inspirado para fazer uma crônica abstrata. Me deu vontade de falar de gente. Gente de carne e osso, como eu e vocês; com sentimentos, defeitos, manias, qualidades e sonhos. Um post com destino, nome e endereço!

Quero falar de uma menina-mulher que conheci a cerca de quatro anos. Cabelos ondulados, sorriso simples, pouca maquiagem. Uma garota que, em todos os invernos, se aprisiona num casaco cor-de-rosa e que, faça chuva, faça sol, sempre está no cantinho dela, entre telas e mouses, com olhos atentos para aquilo que o povo conclama.

Quero falar de uma moça que se desvendou para mim num memorável esbarrão, dentro de uma loja de shopping, e que desde então passou a atordoar meus pensamentos. Uma incógnita! Teria sido, aquele encontro, capaz de nos expor um ao outro? A partir daquele episódio, o que mudaria em mim, aos olhos dela? Isso eu não sabia; mas sabia que ela havia mudado diante do meu olhar. Só não sabia explicar se, desde então, ela era uma ameaça ou uma janela aberta para que eu visse além.

Estas linhas têm dona, e esta dona tem olhos doces e perspicazes. Silenciosa, ela aprisiona na memória os pequenos gestos, os relances, as bolas-foras de quem a cerca. É uma mulher que o tempo me ensinou a descobrir, a desvendar, pouco a pouco. Longe de ser extrovertida, ela faz da sua concha um calabouço para pérolas preciosas. E não estou falando de pérolas de "foras" ou gafes. Digo, mesmo, no sentido mais valioso - pois ela guarda em si uma essência genuína, de gente que gosta de gente, de ser humano que se cansou dos espelhos e busca, no outro, algo interior, forte, consistente.

A "musa" - se é que assim posso chamar - desse texto aprendeu a me conhecer de pouco a pouco. Um dia aqui, outro acolá. Ois, olás, boas tardes, e pouco a pouco o véu que nos separava passou a acobertar sonhos e palavras trocadas entre nós. A mesma aura que outrora representou insegurança, se transformou em ar compartilhado. De uns tempos pra cá, passamos a nos ver com mais frequência, a dividir pequenos detalhes de nossas vidas, a dar, um ao outro, motivos para querer mais e mais. Não por quantidade, mas pela qualidade de tudo que passamos a construir (e desnudar) juntos.

Hoje é o dia dela. Da dona das palavras de sobriedade que me são ditas quando divago em pensamentos distantes. Dia da autora de frases dóceis e firmes na medida certa, da companheira de desventuras e utopias confidenciadas nas horas vagas, nos restaurantes de comida japonesa. Hoje é dia de falar de carinho, de amizade, de bem querer. É, mais que em qualquer outro, o momento de deixar claro - com todas as letras -, que a vida se tornou mais colorida, divertida e gostosa desde que ela chegou.

A você, minha querida Débora.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Papel de estudante

Coisa gostosa era escrever em cartolinas brancas. Letra arredondada, medo de deixar as linhas tortas e cuidado para não marcar o papel com o lápis que riscava o caminho para as palavras expostas ao público. Era inovador ter réguas de letras de fôrma, daquelas em que A, B, C são peças separadas que têm de ser milimetricamente enfileiradas para formar frases inteiras. E, de vez em quando, vinha a raiva, porque a tinta manchou a régua e, com ela, foi-se o alvo do papel. Fazia parte!

Papel craft também tinha seu encanto. Por sobre o fundo pardo, ficavam bonitas as letras vermelhas e verdes. Os pincéis "Pilot" que deslizavam sobre a folha tinham um cheiro característico, mistura de álcool e corantes. Bastava encostá-los em uma das mãos e eram necessários bons minutos sob a água, com muito sabonete, para remover a manchas. Quem, naquela época, não perdeu tempo acrescentando fluido ao cartucho do Pilot, porque a tinta tinha acabado?!

Quando surgiu o papel-pedra, a revolução. Nunca mais as apresentações foram as mesmas. Maquetes, teatros, lembrancinhas... tudo foi tomado pelo cinza, que quanto mais amassado, mais cumpria a pétrea missão. Cinza que contrastava com os "fru-frus" dos bordadinhos feitos às margens das cartolinas, sempre tão coloridos. Os que sabiam fazer "margem bordada" com papel crepom eram disputados a tapa pelos grupos da escola. Só quem fez alguma sabe a inhaca que os dedos viram após o contato com cola e papel crepom. Era difícil acertar!!

Por falar em cola, e o cheirinho da Cola Tenaz? E das primeiras colas em bastão? Vinham em tubinhos vermelhos, a última palavra em modernidade.. Tinham um cheirinho tão suave, que ouso me lembrar delas com certa saudade. Sem perfume, e talvez já extintos, havia também os cadernos de matemática, que em vez de linhas, eram todos quadriculados. Ali se aprendia a por os primeiros numerais e a deixá-los num espaço razoável de distância. Eles eram "primos distantes" dos temidos cadernos de caligrafia - vedetes na época em que ter a letra redondinha e "bordada" era quase obrigação!

Ai, que saudade dos tempos da escola. Da
"história da abelhinha que perdeu a asa" (e me ensinou a escrever), das feiras de ciências, de geografia... dos trabalhos de literatura! Será que hoje em dia as crianças sabem o que é cartolina, papel craft, letra redondinha ou cartaz com margem bordada? Será que ainda há espaço, nas salas de aula, para treinar caligrafia, decorar a tabuada e "tomar distância" o coleguinha, na fila?

Jargões antigos, lembranças gostosas. Se eu tivesse filhos (e já falei disso aqui), iria gostar de reviver esses momentos sob uma nova perspectiva. Porque só depois que a gente cresce, é que vê como é gostoso representar, sem amarras ou tédio, o papel de estudante.