sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Eu voltei. Agora, espero, para ficar.

Tudo na vida tem um preço, isso é fato. Caminhar depressa pode dar calos nos pés, falar demais pode causar mal entendidos, dormir demais pode acarretar atrasos para o início do expediente. Nos últimos dois meses, experimentei, de tudo isso, um pouco. E devo acrescentar um item à lista: trabalhar muitas horas por dia, engorda. Mas também dá prazer!

Deixei o "Fachettoides" de lado em julho e agosto por absoluta falta de tempo. Mergulhei de cabeça no trabalho e conciliei a jornada da Rádio CBN Vitória com as horas extras no jornal A GAZETA, onde fiquei interino, por três meses, na editoria de Política. Duas realidades bem diferentes: a primeira, marcada por corrida, pautas factuais - muita explosão, manifestação, buraco de rua, operações policiais e fiscais. A segunda, mais serena no sentido do esforço físico, mas desgastante por exigir mais concentração, conteúdo, uma visão mais global de alianças, cenários e interesses.

Diante de tudo isso, faltava inspiração para vir aqui dividir com vocês, leitores, algo que fosse diferente daquilo com que convivia na Redação. Desde que abri esse espaço, me predispus a não falar de jornalismo. Seria redundante, cansativo, monótono. Não faz parte das minhas intenções como blogueiro requenguela.

Mas chega de bla-bla-bla: pretendo ficar mais tempo por aqui. Nos dois meses que se passaram, muita coisa mudou: deixei a Rádio CBN e agora sou repórter efetivo de Política. Optei por um novo caminho - que não foi fácil de ser escolhido - e com ele virão novos desafios. Muitas informações em on, em off, articulações, eleições e siglas... ah, quantas siglas! Que Deus me abençoe nessa nova rota.

Espero ter (ainda) meus leitores por aqui. E que venham reflexões, cenas da cidade, crônicas e desabafos para essa janela virtual. Enfim, estou de volta!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Rupturas

Não é fácil dar um passo adiante. Lá, quando tudo era infância, quando ao redor sobravam chupetas, quando as fraldas de pano roçavam entre as coxas, o caminhar era ajudado por um andador. Passos lentos, cambaleantes. Passos de menino em recente descoberta dos limites com olhos vidrados à frente e mãos agarradas a tudo.

Não é fácil seguir adiante quando a bicicleta passa a ter, de repente, apenas duas rodas. Sem a ajuda das rodinhas auxiliares, com o guidon meio frouxo, equilíbrio distante para quem visa quilometragens de aventuras infância afora. Mas basta um pouco de prática, joelhos ralados, queixo batido no asfalto, se aprende a girar os pedais em liberdade absoluta de movimentos.

Não é fácil deixar o Ensino Fundamental. Os colegas que cresceram juntos, as piadas bobas entre aulas de Ciências, Estudos Sociais, História e Artes. Ficam as marcas da tinta guache (e seu cheiro característico), as assinaturas em uniformes da infância, as corridas de pique-pega pelo pátio da escola. Laços construídos desde os primeiros anos de vida; a primeira namoradinha psicológica, as primeiras paixões platônicas, as brigas, cachorro-quente na cara, medalhas de honra por notas máximas no boletim. Isso também fica para trás.

Não é fácil crescer. Não no sentido dos centímetros ganhos com a juventude, não no sentido dos cabelos brancos que surgem com o passar dos anos. Há dificuldade em reconhecer o mundo - e querer que o mundo lhe reconheça. Há medos, lágrimas, angústias. O mundo, do dia pra noite, troca a tinta guache e a aquarela da pré-escola pelas contas de cartão de crédito, pelos dedos em riste exigindo respostas (nem sempre na ponta da língua).

Não é fácil tomar decisões. Ser um caranguejo que, por natureza, se apega ao que passou, mas que luta contra a própria natureza para seguir adiante, evitando os buracos escavados na areia por outros nem sempre tão bem intencionados. Não é fácil separar o coração da razão, o fato do boato, a oportunidade do novo e o confortável conhecido. Não é fácil dizer adeus.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Quando decidi ser jornalista

Há cerca de três meses, quando comecei a postar neste blog, prometi a mim mesmo que, por aqui, eu "daria um tempo" do jornalismo. Me propus a escrever sobre mim, sobre o que penso, sobre observações e reticências do mundo. Mas hoje resolvi quebrar a rotina - aliás, cada dia mais corrida! - para dividir com vocês o dia em que decidi ser jornalista. E lá se vão uns 11 ou 12 anos, se bem me lembro.

Para começar, vou dizendo logo: a culpada é a Glória Maria! Sim, confesso. A mesma que é apontada, nas faculdades (pelo menos, na minha era) como o pior exemplo de jornalismo do país. Estávamos em meados de 2000, e até então, eu já havia pensado de tudo um pouco sobre o futuro. Ator de novelas, autor de novelas, professor de Língua Portuguesa... até mesmo psicólogo pensei em ser, mas nunca tive paciência para estudar a função das mitocôndrias, etc etc etc.

Pois bem... eis que surge, na TV, uma matéria sobre vulcões. Não me lembro onde, nem o porquê da pauta, mas lá estava Glória Maria, agachada sobre um rio de lava, "futucando" o magma fervente com um pedaço de madeira. Pronto! Meus olhos brilharam, meu coração acelerou e, num ímpeto, pensei: "É isso que quero fazer o resto da minha vida!". Não, eu não queria ver vulcões, muito menos tomar 110 cápsulas rejuvenescedoras por dia. Quis - e continuo querendo - a loucura de viajar, de conhecer o que parece distante, de "futucar" coisas que nenhuma outra profissão me permitiria.

Decidi ser jornalista aos 15 anos, portanto. E passei a adolescência toda dizendo isso aos professores de Química, Física e Matemática. Nunca fui, e continuo não sendo bom em cálculos. As exatas me parecem tão frias, distantes. A família dos gases nobres, a tração das roldanas, os catetos e hipotenusas nunca fizeram sentido pra mim. No entanto, as letras sempre me fascinaram. O som das palavras, a construção de uma frase de impacto. Muitas delas escrevi a mão, e estão guardadas em pastas sobre meu guarda-roupas. Talvez um dia eu as publique.

O jornalismo me trouxe a Vitória. Me tirou de Colatina (hoje sinto saudades da família, acho que deveria ter curtido mais) e me ensinou que tudo, absolutamente tudo, tem dois lados. Às vezes três. Até quatro. Abriu meu olhar para um horizonte infinito. Me trouxe rostos, relatos, histórias de vida (e de morte) que nenhuma ciência exata, se delas eu gostasse, me traria. O jornalismo me permite acordar todos os dias querendo fazer da minha vida uma nova história, porque sei que, adiante, vou ter que lidar com o desconhecido.

No início, divido hoje com vocês, eu não sabia a diferença de Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Rodoviária Estadual (PRE) ou Guarda de Trânsito. Fábio Botacin, hoje um grande amigo, fez um mapinha primário e me ditou a regra: a primeira fala de rodovias federais, a segunda de estradas estaduais, e a última, das ruas da cidade. Primeiro e inesquecível aprendizado.

Não me lembro, ao certo, meu primeiro flash ao vivo na rádio. Estava no ar o CBN Cotidiano, ainda apresentado por Hemerson Costa (em 2007), quando uma tempestade derrubou a rodoviária de João Neiva. Um ouvinte ligou apavorado e eu - ainda estagiário - atendi o telefone. Em menos de dez minutos eu estava no ar, relatando aos ouvintes as primeiras informações. Nunca me esquecerei daquele dia, porque foi quando eu aprendi que ser jornalista é muito mais que escrever bem. É saber ouvir a rádio ao vivo, prestar atenção na TV ligada e manter a concentração para fazer entrevistas por telefone. Ao mesmo tempo!

Tenho várias histórias para contar... parando para pensar, vejo que muita coisa já aconteceu. Já entrevistei gente desabrigada, gente da alta sociedade, padres, pastores, pais-de-santo. Ouvi palestras intermináveis, corri atrás (literalmente) da notícia quando ônibus eram incendiados, me vi no meio de protestos com pneus queimados, falei com governadores e manifestantes. Já ouvi insultos na rua, mas também já recebi e-mails de ouvintes que, ajudados por uma simples informação, conseguiram algo bom.

Não me arrependo da minha escolha precoce. Ainda não fiz uma viagem internacional, não passei sequer perto do magma, mas aprendi a "futucar" histórias e a não me calar diante de respostas mal dadas. Sinto um friozinho na barriga quando a pauta inspira mais cuidado, e desando a falar quando me pedem mais fôlego ao vivo. Ainda tenho muita estrada pela frente, é bem verdade. Mas o importante é que o primeiro passo foi dado. Um dia eu chego aos vulcões!
ººº
Caros leitores,

O "Fachettoides" está com escassas atualizações por causa deste vício chamado JOR-NA-LIS-MO. Tenho passado, em média, 14 horas por dia na redação. Pela manhã, vocês podem me acompanhar na CBN Vitória (93,5 FM) ou no www.gazetaonline.com.br/cbn. À tarde, até o fim de julho, estou na equipe de Política do jornal A GAZETA. Desculpem-me a ausência, e espero tê-los aqui comigo quando as atualizações voltarem à regularidade.