segunda-feira, 25 de abril de 2011

Caranguejo ciumento

Sou ciumento, assumo. E começo logo admitindo isso, antes que achem que sou manipulador, chantagista, coisa e tal. Mas não, são só ciúmes. Gosto das pessoas queridas perto de mim, e, se pudesse, telefonaria pelo menos uma vez ao dia para cada uma delas, nem que fosse só para perguntar "oi, tudo bem?" e me certificar de que estão todas em perfeito estado.

Distâncias me fatigam, incomodam. Tá, tá, talvez eu seja um pouco controlador, mas todos os horóscopos que já li dizem que é coisa do signo. Pausa para a piada: "- Vou ligar para a Gisele Bündchen perguntando se ela se sente como eu, afinal, nascemos no mesmo 20 de julho". Deixa pra lá... Bem, vamos ao que interessa: tenho ciúme dos meus amigos, das minhas amigas, primas, colegas... sinto necessidade de estar com os que quero bem. Conhecer suas manias, gostos, as pessoas de quem gostam e com quem convivem. Assim completo meu círculo feliz de relações bem-resolvidas.

No entanto, nem sempre os ciclos se completam. Rupturas fazem parte da vida, e algumas vezes convivi com gente que valorizei (e, portanto, senti ciúmes) mais do que deveria. Gente que não queria saber de laços fortes, duradouros. Ou que, simplesmente, não vê nessa minha mania algo que faça sentido, que lhe acrescente. Aí vem a velha frase, o clichê dos clichês: "o tempo é o melhor remédio". Pimba! O que um dia foi ciúme e carinho desmedido, vira quase esquecimento. Poeira num passado remoto ou lembrança poucas vezes rememorada. Às vezes dói, mas estou disposto a aprener a respeitar diferenças de comportamento.

Há pessoas que são como pedaços de mim. Consigo entendê-las pelo olhar, sinto uma energia estranha quando elas não estão bem, vibro com suas conquistas como se fossem minhas conquistas. Sinto como se minha alma fosse mais completa quando estou com meus amigos, e eles comigo. Deste modo, posso rir, reclamar, cantar desafinadamente, beber Ice até ficar tonto (três garrafas me bastam) e até dividir histórias que escondo de mim. É infalível: eles sempre sabem apreender tudo e me dar uma resposta sensata. Ou, simplesmente, participar da minha festa.


Na direção contrária, gosto de ser ouvinte. Talvez isso tenha me influenciado a ser jornalista. Gosto de ouvir histórias, pensar sobre elas. Vez ou outra, as respostas mais corretas só me vêm à cabeça horas depois. Creio que vocês me entenderão, afinal, todo mundo tem pelo menos uma pessoa especial a quem empresta ombros, ouvidos e sensatez nas horas precisas, sem se cobrar e sem cobrar nada por isso. Puro prazer.

E sabe o que é mais estranho? Esses amigos, meus irmãos de coração, estão todos longe de mim. A mesma distância que me incomoda, no caso deles, me conforta. A saudade avassaladora que sinto se transforma em alegria e vontade de fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora quando nos encontramos. Não há rodovia longínqua demais que nos separe, nem tempo sem contato que diminua nossa sintonia. A vida vira festa, as lamúrias se traduzem em sessões de análise, os amores e desamores são confidenciados, festejados ou esconjurado em terapia de grupo. Nos completamos.

Sou um ciumento confesso, mas de todas as manias que tenho, dessa não me desfaço. Gosto das pessoas de verdade, mergulho de cabeça e compro briga pelos que quero bem. Tenho ciúme quando percebo que suas divisas estão se distanciando das minhas, mas sou torcedor costumaz pelo sucesso das novas descobertas. Fico com o coração apertado a cada vez que um "novato" chega disputando espaço e, como o caranguejo que representa meu signo, me escondo no meu túnel de areia até estar certo da segurança no ambiente. Minhas puãs até podem ser afiadas, mas prefiro usar meus braços para longos e calorosos abraços.

7 comentários:

  1. Adorei Eduardo. Você tem se superado.

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  2. Acho que tive influência na inspiração deste texto... eim?

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  3. Gente, que dom vc tem de SE DESCREVER, né? :-) Adorei! A sua cara! A cara do cara que eu tanto amo! :-))

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  4. Preciso falar: CHOREI de saudade de vc agora!!! Aiiiiiiiiiiiiii :-)

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  5. Deu muita saudade sua e da Lorys.
    "..Consigo entendê-las pelo olhar, sinto uma energia estranha quando elas não estão bem, vibro com suas conquistas como se fossem minhas conquistas". Sou testemunha de tudo isso.

    Assim como faço das suas palavras as minhas: "Fico com o coração apertado a cada vez que um "novato" chega disputando espaço"

    Te adoro muito e sempre!

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  6. Eduardo, que texto lindo! Sinto-me como você muitas e muitas vezes... Quando sonho com uma pessoa querida, no outro dia telefono para ela só pra me certificar de que tudo está bem... Outras vezes, só de olhar para um amigo, trocamos frases inteiras. Quanto ao ciúme, nem se fala... preciso me controlar diariamente! Rsrs Acho mesmo que esse ciúme é amor, carinho, querer bem...
    Parabéns pelos textos do seu blog. Virei fã incondicional! Já estou aguardando pelo próximo!

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